quarta-feira, 23 de julho de 2008

A Minha Guerra...

“Alô, alô, Marciano. Aqui quem fala é da terra. Pra variar estamos em guerra. Você não imagina a loucura. O ser humano ta na maior fissura.” Pois é, essa guerra que a Elis já cantava, descobri que existe dentro de mim. E, talvez, dentro de todos nós. Explico: Cada vez mais, fico aflita diante do que acontece no mundo. Cada vez mais, perplexa, amedrontada, impotente e conformada. Então é assim: Alô, alô, marciano, aqui quem fala é a Milena da terra...e salve-se quem puder! Crianças são atiradas pela janela; Recém-nascidos morrem desordenadamente em um hospital da capital do norte do Brasil. E, alguém lá, ainda quer nos convencer que está dentro do “normal” para as condições do local. Pessoas esperam órgãos para transplantes, enquanto órgãos doados são jogados no lixo pela falta de condições receptoras. As drogas invadem as famílias, as escolas e as praças. Os assassinatos a mão armada acontecem a todo instante, em todo momento. Inclusive até pela polícia, aquela que deveria zelar pela nossa segurança. A floresta amazônica servindo a exploração estrangeira. Servindo a plantações de maconha. As filas dos hospitais crescem. Gente espera. Gente morre sem ao menos ter atendimento médico. E pagamos tão caro por isso. Cada vez mais caro. Assaltos acontecem na rua e dentro de casa. Cada vez mais, o ser humano se mostra insensível, individualista e ambicioso. Cada vez mais, desconfia-se de tudo e de todos. Apesar de tudo isso o país funciona. Os carros rodam. As pessoas trabalham. Os governos governam, bem ou não. Pais e mães acordam cedo, dão café pro seus filhos, esses vão pra escola, os pais vão trabalhar. Os filhos chegam da escola, fazem o dever de casa e vão dormir depois de jogar bola no quintal. Nada pára. E, eu, de perplexa, aflita, impotente, passo à conformada. E a guerra acontece. E eu, tenho q procurar a minha paz, diante de tudo isso.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Essa tal Felicidade...

Em tempos de puro hedonismo, calma, eu explico: prazer, prazer e prazer; sem muito esforço de preferência. Tempo também de orkut (pura ilusão, nem tudo é o que parece e nem tudo parece como é). Mas ta, eu confesso, também tenho e adoro o orkut. É nele que reencontro e mantenho contato com pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida. Mas como eu ia dizendo... Nos tempos do consumismo desenfreado, exagerado ...o de ter para ser... (os publicitários que o digam) despertam-nos os desejos. Nós os compramos. De brinde, ganhamos a idéia da fórmula mágica da felicidade, pena que ela dure tão pouco. Porque quando a conseguimos através do tal desejo consumido, ficamos em euforia total. Mas logo se inventa outro desejo e, pronto, já estamos em disforia. E lá se foi a idéia principal da fórmula mágica. Porque nessa fórmula é preciso acreditar... Que tudo nos é útil e indispensável. Se não, ela (a fórmula da felicidade) não funciona. Desejo, compra, euforia, disforia, interessante, né? E por falar em fórmulas mágicas, essa semana estou eu a matutar: Mas e a tal da felicidade, onde ela está? Onde está ela? Onde a encontramos? “Felicidade, brilha no ar como uma estrela que não está lá! É uma viagem, doce magia, uma ilusão que a gente não escolhe, mas espera viver um dia. Felicidade brilha no ar como uma estrela que não está lá! Conto de fadas, história comum, como se fosse uma gota d ’ água descobrindo que é um mar azul“. Sim, essa é uma música do Fábio Júnior, mas e essa felicidade a qual faz menção a canção dele... Será que ele (Fábio Júnior) não a encontrou? Mas o que é essa tal felicidade? Depende do quê? De cada pessoa? Depende da sorte? Depende do dinheiro? Depende do amor? São muitas suas facetas? Ó dúvida cruel! Continuando minha matutação, vamos a definição segundo o dicionário: do Lat. felicitate, s. f., ventura;bem-estar;contentamento;bom resultado, bom êxito;dita; qualidade ou estado de quem é feliz. Hum. Creio que ainda não foi suficiente para formar alguma opinião. Então, Selecionei algumas frases ditas por pensadores, compositores, pessoas comuns, outras bem incomuns, para contribuir nessa reflexão. Eis as frases: Se alguém não encontra a felicidade em si mesmo, é inútil que a procure noutro lugar.(La Rochefoucald)
Com o dinheiro podemos comprar muitas coisas, mas não o essencial para nós. Proporciona-nos comida, mas não apetite; remédios, mas não saúde; dias alegres, mas não a felicidade.(Ibsen)
Aquele que procura o Céu na Terra certamente adormeceu na aula de geografia... (Stanislaw Jerzy Lec)
A luta ansiosa pela felicidade é o que dá infelicidade a muita gente.(Hermógenes)
Só há duas tragédias na vida: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é consegui-lo.(Óscar Wilde)
Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre. (Albert Einstein)
A vida só se dá a quem se deu. (Vinicius de Moraes)
A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.
Para que haja uma árvore florida, é preciso haver antes uma árvore; e, para haver um homem feliz, é preciso haver em primeiro lugar um homem.(Saint-Exupéry)
Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos...(W. Shakespeare)
Ou você aceita a vida, ou é infeliz. É uma questão de opção. (Cazuza)
Puxa, acho que agora, sim. Posso dizer com propriedade: Tenho uma definição convicta. Aí vai ela: Penso que não posso falar de felicidade se não contemplar primeiramente a vida, o dom de viver, de se estar vivo, pois, se não há vida, não haverá felicidade. Outra convicção: Sou feliz, obrigada! Sou extremamente feliz, simplesmente porque amo a vida. Amo-a de paixão. Incessantemente. Jubilosamente. Exaustivamente. De uma vida originou-se a minha vida, dividi a minha com outra vida e gerei mais duas vidas, assim seguimos “nossas” vidas em busca dessa tal felicidade. Dia-a-dia. Comumente. Constantemente. Construtivamente. Incessantemente. E mesmo que meu caminho não seja o mais belo, foi a escolha que eu fiz. Foram os sonhos que escolhi e os possíveis pra mim. Tenho momentos de infelicidade, de incertezas, de sombras, sonhos frustrados, aptidões não encontradas, tenho sim, e muitos! Mas ainda sim, quando algo que tenho me falta, percebo o quanto sou feliz. Explico: Se um filho meu ou alguém que amo adoece, se algo sai fora do meu controle, pronto, já “vejo o filminho” era feliz e não sabia. Não tenho tudo que quero mas amo o que tenho. É isso. Porque felicidade na minha idéia da própria, é achar a distância certa entre o que se tem e o que se quer ter. Aceitar que todos nós temos limitações e devemos sonhar de acordo com elas. Esse papo que somos do tamanho dos nossos sonhos não é bem assim. Tem de ter coerência. Há de se percorrer um caminho. Já fui muito idealista e achei que ia mudar o mundo no primeiro ano de faculdade. Claro, eu faço a minha a parte, mas nem por isso, acredito que consigo mudar o mundo. Apenas o meu e, olhe, lá. Para concluir, se os nossos desejos, sonhos, ambições forem muito distantes do que nos é possível, a frustração também será muito grande. Disso não tenho dúvida. Mas também não quero ser passiva ao comodismo e a falta de ambição. Talvez, um meio termo. Termino com dizeres de um velho amigo meu, o poeta, Carlos Drummond de Andrade, ele nem me conhece, mas gosto tanto do que ele escreve que já o considero meu amigo há tempo. “Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”. É isso aí, e se a minha idéia de felicidade não é como você pensa sobre a sua. Fique a vontade para dividir comigo. Porque eu continuo a matutar...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vida Efêmera...

Recebi a notícia de falecimento de um velho amigo meu, amigo dos tempos de ginásio, amigo de fé, irmão camarada...como dizia Roberto Carlos. Velho aqui, corresponde ao tempo da nossa amizade, porque meu amigo era novo. Tinha 31 anos, um filho recém-nascido e uma vida inteira pela frente. Ele era professor de educação física, professor de crisma e proprietário de uma loja de artigos infantis. Era uma pessoa extremamente cativante. Transmitia uma tranquilidade que só quem o conheceu sabe do que estou falando. Robson tinha uma paz de espírito. Não tinha vícios. Lembro dele pegando no meu pé porque eu fumava e ia pra balada. Fiquei muito impressionada. O filhinho dele de apenas 1 mês e meio, chamava Yan.
E por falar em Yan, ainda sob o impacto da morte de outro Yan. Esse Yan, é filho da Nani, amiga da Lilian, que é minha amiga. Enfim, essa tbém foi outra morte prematura. Outro sonho interrompido. Quinze anos apenas. Um acidente de carro, mais um quarto vazio e tanta coisa por vir... Eu sei, você sabe, nós todos sabemos: essa vida é passageira. Nosso corpo é emprestado, nossa vida é apenas passagem, mas, ainda sim, não nos damos conta disso. Ainda sim, não nos conformamos com alguém que simplesmente deixa de existir. Não é apenas um quarto vazio. Um quarto vazio é o de uma pessoa q voou para outros horizontes. Saiu da proteção do ninho e foi viver suas escolhas. O vazio de quem perde alguém q ama é um vazio q não acaba mais e q não se preenche com mais nada e mais ninguém. Imagina..olhar o quarto vazio de quem jamais voltará a ocupá-lo, as roupas dele, os objetos pessoais, suas coisas por fazer no dia seguinte se a morte não os tivessem levado. Acredito q essa dor para quem sente de perto...muito perto....como a mãe do YAN, como a mulher e o filhinho do meu amigo Robson...é semelhante a ...morrer estando vivo. Porque é inexplicável. Porque só quem a sente poderá exprimir.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A Dona Da História...

Olá pessoas!
Muito prazer, sou a Milena, a criatura que fez esse blog. Tenho vinte e nove anos (com carinha e corpinho de vinte e oito), sou uma pisciana bem daquelas que viajam. Adoro mergulhar num mar desconhecido, embora goste do aquário também. Ele é seguro e estável.
Tenho TPM (toda pronta para matar), adoro beber todinho e vinho. Não bebê-los necessariamente ao mesmo tempo.
Gosto de cozinhar, mas tem dias que gosto mesmo é só de comer. Gosto de escrever cartas, principalmente se for de dor de cotovelo, a minha é claro! Lilian que o diga, minha amiga já leu quase todas, é ela quem me ajuda a aterrizar.
Parte de mim é gaúcha, parte paulista e outra parte catarinense. Mas eu confesso: Meu coração bate mais forte por São Paulo. Foi lá, naquela selva de pedra, que aprendi a me virar. Foi onde fiz bons amigos, fiz muitas histórias pra contar, passei metade da minha infância, juventude e início da vida adulta. Foi onde encontrei minha cara metade. Também foi em São Paulo, q comecei a labuta, já fui balconista de mercadinho, de loja, patinadora de mercado, promotora de cartão de crédito entre outras ocupações. Ainda trabalhei em agência de emprego, marmorearia, multinacional, é, multinacional, sim! Japonesa ainda!
E por falar nisso, japonês não gosta de muita conversa, pelo menos, não no local de trabalho. Uma vez, quando cheguei no meu departamento, notei minha mesa virada para parede. Como se estivesse de castigo. A empresa estava mudando para o interior por causa dos incentivos fiscais, sabe. Até hoje, eu não sei se foi por causa da mudança que eles mexeram no layout da sala ou se me colocar de frente pra parede tinha algum outro motivo....rs. Mas essa é uma outra história que eu conto um outro dia.
Como eu ia dizendo, trabalhei também em uma empresa familiar. Lá, era bem legal, podia conversar, fazer ligação pessoal na hora do almoço, mas em compensação, era tanto chefe pra pouco indío.
Ah, também já entreguei panfletinho no trânsito, fiz boca de urna pra ganhar o lanchinho (calma gente! eu só tinha doze anos), enfim, eu tinha de me virar. Ninguém iria bater na minha porta oferecendo o trabalho dos sonhos, não é mesmo?
Hoje, moro em Santa Catarina, casei, tive dois filhos, terminei meu jornalismo, aprendi a cozinhar (e bem, meu bem!), a cuidar de mim e da minha bagunça, (mãezinha achava que eu nunca iria conseguir) a não falar palavrão, pelo menos não na frente dos moleques, só falo com eles de costas.
Umas vezes, tenho dúvidas sobre minhas escolhas e, outras vezes, tenho convicção absoluta delas.
Já pratiquei volei, natação, basquete, handbol, ginástica olímpica, capoeira, yoga, mas não consegui ser "atleta" e muito menos dar sequência a esses esportes. Bem que eu tentei.
Para concluir, sou a filha mais velha do sr. Maurino e da dona Teresa, meus pais adotivos, que eu os amo de uma forma que eu nem sei explicar. Foram eles que me ensinaram tudo o que eu sei e contribuíram para ser quem eu sou. À eles, minha gratidão não têm tamanho. Mas também sou grata a minha mãe biológica, digamos um pouco, exótica. Pois se não fosse ela, não estaria aqui e nem teria conhecido dona Teresa e nem sr. Maurino. Aprendi a vê-la (a minha mãe exótica) com olhos imparciais, porque julgamentos cabe ao criador. Mas essa é uma outra história para um outro dia.
E, por enquanto é só. Aguardo na expectativa os próximos capítulos da minha história.