Em tempos de puro hedonismo, calma, eu explico: prazer, prazer e prazer; sem muito esforço de preferência. Tempo também de orkut (pura ilusão, nem tudo é o que parece e nem tudo parece como é). Mas ta, eu confesso, também tenho e adoro o orkut. É nele que reencontro e mantenho contato com pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida.
Mas como eu ia dizendo... Nos tempos do consumismo desenfreado, exagerado ...o de ter para ser... (os publicitários que o digam) despertam-nos os desejos. Nós os compramos. De brinde, ganhamos a idéia da fórmula mágica da felicidade, pena que ela dure tão pouco. Porque quando a conseguimos através do tal desejo consumido, ficamos em euforia total. Mas logo se inventa outro desejo e, pronto, já estamos em disforia. E lá se foi a idéia principal da fórmula mágica. Porque nessa fórmula é preciso acreditar... Que tudo nos é útil e indispensável. Se não, ela (a fórmula da felicidade) não funciona. Desejo, compra, euforia, disforia, interessante, né?
E por falar em fórmulas mágicas, essa semana estou eu a matutar: Mas e a tal da felicidade, onde ela está? Onde está ela? Onde a encontramos?
“Felicidade, brilha no ar como uma estrela que não está lá!
É uma viagem, doce magia, uma ilusão que a gente não escolhe, mas espera viver um dia.
Felicidade brilha no ar como uma estrela que não está lá!
Conto de fadas, história comum, como se fosse uma gota d ’ água descobrindo que é um mar azul“.
Sim, essa é uma música do Fábio Júnior, mas e essa felicidade a qual faz menção a canção dele... Será que ele (Fábio Júnior) não a encontrou?
Mas o que é essa tal felicidade?
Depende do quê? De cada pessoa? Depende da sorte? Depende do dinheiro? Depende do amor? São muitas suas facetas?
Ó dúvida cruel!
Continuando minha matutação, vamos a definição segundo o dicionário:
do Lat. felicitate,
s. f., ventura;bem-estar;contentamento;bom resultado, bom êxito;dita;
qualidade ou estado de quem é feliz.
Hum. Creio que ainda não foi suficiente para formar alguma opinião. Então, Selecionei algumas frases ditas por pensadores, compositores, pessoas comuns, outras bem incomuns, para contribuir nessa reflexão. Eis as frases:
Se alguém não encontra a felicidade em si mesmo, é inútil que a procure noutro lugar.(La Rochefoucald)
Com o dinheiro podemos comprar muitas coisas, mas não o essencial para nós. Proporciona-nos comida, mas não apetite; remédios, mas não saúde; dias alegres, mas não a felicidade.(Ibsen)
Aquele que procura o Céu na Terra certamente adormeceu na aula de geografia...
(Stanislaw Jerzy Lec)
A luta ansiosa pela felicidade é o que dá infelicidade a muita gente.(Hermógenes)
Só há duas tragédias na vida: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é consegui-lo.(Óscar Wilde)
Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre. (Albert Einstein)
A vida só se dá a quem se deu. (Vinicius de Moraes)
A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.
Para que haja uma árvore florida, é preciso haver antes uma árvore; e, para haver um homem feliz, é preciso haver em primeiro lugar um homem.(Saint-Exupéry)
Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos...(W. Shakespeare)
Ou você aceita a vida, ou é infeliz. É uma questão de opção.
(Cazuza)
Puxa, acho que agora, sim. Posso dizer com propriedade: Tenho uma definição convicta. Aí vai ela:
Penso que não posso falar de felicidade se não contemplar primeiramente a vida, o dom de viver, de se estar vivo, pois, se não há vida, não haverá felicidade.
Outra convicção: Sou feliz, obrigada!
Sou extremamente feliz, simplesmente porque amo a vida. Amo-a de paixão. Incessantemente. Jubilosamente. Exaustivamente.
De uma vida originou-se a minha vida, dividi a minha com outra vida e gerei mais duas vidas, assim seguimos “nossas” vidas em busca dessa tal felicidade. Dia-a-dia. Comumente. Constantemente. Construtivamente. Incessantemente.
E mesmo que meu caminho não seja o mais belo, foi a escolha que eu fiz. Foram os sonhos que escolhi e os possíveis pra mim.
Tenho momentos de infelicidade, de incertezas, de sombras, sonhos frustrados, aptidões não encontradas, tenho sim, e muitos! Mas ainda sim, quando algo que tenho me falta, percebo o quanto sou feliz. Explico: Se um filho meu ou alguém que amo adoece, se algo sai fora do meu controle, pronto, já “vejo o filminho” era feliz e não sabia. Não tenho tudo que quero mas amo o que tenho.
É isso. Porque felicidade na minha idéia da própria, é achar a distância certa entre o que se tem e o que se quer ter. Aceitar que todos nós temos limitações e devemos sonhar de acordo com elas. Esse papo que somos do tamanho dos nossos sonhos não é bem assim. Tem de ter coerência. Há de se percorrer um caminho. Já fui muito idealista e achei que ia mudar o mundo no primeiro ano de faculdade. Claro, eu faço a minha a parte, mas nem por isso, acredito que consigo mudar o mundo. Apenas o meu e, olhe, lá.
Para concluir, se os nossos desejos, sonhos, ambições forem muito distantes do que nos é possível, a frustração também será muito grande. Disso não tenho dúvida.
Mas também não quero ser passiva ao comodismo e a falta de ambição. Talvez, um meio termo.
Termino com dizeres de um velho amigo meu, o poeta, Carlos Drummond de Andrade, ele nem me conhece, mas gosto tanto do que ele escreve que já o considero meu amigo há tempo.
“Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.
É isso aí, e se a minha idéia de felicidade não é como você pensa sobre a sua. Fique a vontade para dividir comigo. Porque eu continuo a matutar...